No universo da renda variável, existem termos que despertam a curiosidade de investidores em busca de grandes valorizações. Um dos conceitos mais debatidos no mercado financeiro é o de penny stocks. Embora o termo tenha origem no mercado americano, ele descreve uma realidade muito presente na bolsa de valores brasileira, a B3. Mas afinal, o que são essas ações em centavos e como elas funcionam na prática?
Se você quer entender se vale a pena incluir esses ativos na sua carteira ou se o risco é alto demais para o seu perfil, continue a leitura.
O que são as ações em centavos (penny stocks)?
Por definição técnica do mercado financeiro, uma penny stock é qualquer ação cotada e negociada por um valor unitário inferior a R$ 1,00. O termo em inglês faz referência ao “penny”, a moeda de um centavo de dólar nos Estados Unidos.
No Brasil, essas ações em centavos geralmente pertencem a companhias que passam por severas reestruturações. É muito comum encontrar esses papéis associados a:
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Empresas em processo de recuperação judicial;
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Companhias com problemas de governança ou escândalos financeiros;
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Corporações com alto nível de endividamento e sem capacidade de geração de caixa;
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Setores que enfrentam crises estruturais profundas e prolongadas no mercado.
Quais são as regras da B3 para as penny stocks?
Para manter o mercado organizado e proteger o investidor de flutuações irracionais, a B3 (a bolsa de valores brasileira) adota regras rígidas. Uma das principais determinações é que uma empresa não pode fechar 30 pregões consecutivos com suas ações cotadas abaixo de R$ 1,00.
Quando essa marca limite acaba, a B3 notifica formalmente a companhia. A partir deste momento, a empresa é obrigada a seguir um rito específico para tentar reverter a situação do ativo:
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Apresentar um plano detalhado para garantir a revalorização de seus papéis no mercado;
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Adotar medidas societárias para elevar o valor nominal da cotação individual das ações;
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Realizar um processo conhecido como grupamento de ações (ou inplit);
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Em casos extremos de descumprimento das regras ou inviabilidade financeira, a empresa pode sofrer a exclusão (remoção de listagem) da bolsa de valores.
O processo de grupamento de ações
Para cumprir a regulação da B3 e deixar de ter suas ações negociadas como ações em centavos, a saída mais comum adotada pelas diretorias financeiras é o grupamento de ações. Esse mecanismo nada mais é do que a junção de vários papéis para formar uma única nova ação com valor superior.
Se uma companhia possui ações cotadas a R$ 0,60 e decide fazer um grupamento na proporção de 10 para 1, o investidor que possuía 10 ações passa a ter apenas uma. No entanto, o valor dessa ação única passa a ser de R$ 6,00.
Embora o grupamento eleve o preço de tela do papel e reduza a volatilidade extrema, ele não resolve os problemas estruturais da empresa. Trata-se de uma mudança puramente matemática e estética. Se os fundamentos operacionais e financeiros da companhia continuarem ruins, o mercado poderá continuar vendendo o ativo, fazendo com que ele retorne ao patamar de centavos após algum tempo.
Vale a pena investir em ações em centavos?
Muitos investidores iniciantes se atraem pelas ações em centavos por uma ilusão matemática simples: a falsa simetria de que é mais fácil uma ação de R$ 0,50 subir para R$ 1,00 (uma alta de 100%) do que uma ação de R$ 50,00 subir para R$ 100,00. Contudo, essa classe de ativos carrega riscos desproporcionais que exigem máxima cautela.
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Alta Volatilidade: Como o valor nominal é muito baixo, qualquer oscilação de poucos centavos representa uma variação percentual gigantesca no seu patrimônio.
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Baixa Liquidez: Muitas vezes é extremamente difícil encontrar compradores quando você decide se desfazer do papel, o que pode prender o seu dinheiro no ativo.
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Risco de Ruína: Muitas das empresas que negociam nessa faixa de preço acabam falindo, o que pode resultar na perda total do capital investido.
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Assimetria de Informações: Geralmente, são empresas com menos cobertura de analistas, o que dificulta uma análise fundamentalista precisa e transparente.
A recomendação de especialistas é clara: o investimento em ações em centavos não é tão interessante para investidores iniciantes. Esse mercado se restringe a investidores altamente experientes, que possuem perfil agressivo e que destinam apenas uma parcela muito pequena e não essencial de seu capital para fins de pura especulação de curto prazo.
Para aprofundar seu conhecimento na prática, confira nossos outros materiais sobre o assunto.
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